Redes pouco sociais

Ainda vou a meio da época alta e já só penso nos próximos. Sinto-me aqueles bonecos de corações nos olhos que uso em tudo o que é rede que me liga ao mundo. Na verdade da rede já só sobra a do telemóvel para saber das crianças e da segunda parte não resta nada. Na-da. Dizem que se chamam redes sociais mas só me seguram as pontas dos dedos e social só o que encontro nos casamentos. 🙂

Novo site

A After Click faz hoje 3 anos! Se soubessem do turbilhão que me ia na alma naquele dia desejariam que não me tivesse reinventado, que deixasse passar todos os medos e angústias que tinha na pele, que enxugasse as lágrimas incrustadas no azul e que esperasse até que fosse melhor altura para nós. Como nos filhos, não há melhor altura, nunca dá jeito nem nunca temos a conta com os dígitos suficientes para respiramos em suspiros compassados, apenas queremos. Apesar disso estamos cá na mesma! O miúdo arranjou o coração, eu aumentei o meu, a família cresceu e o trabalho ensandeceu:) A data merece comemoração por isso apresento-vos o meu mai’novo! Ainda tem alguns ajustes de feitio como qualquer recém nascido por polir mas nada que paciência e colo não resolvam. Tenho que agradecer sem fim à Mariana Pimentel e à Webinha que a 300 km e à distância de um telefonema criou o que eu sonhei mas não soube escrever. Nunca há alturas boas nas mais variadas teorias e práticas dos sonhos mas se olhar para todos os grandes feitos da minha vida foi sempre numa boa altura:) www.afterclick.pt

Gozo

Setembro mata-me! Voltar a pôr os pés na terra, as lutas para açambarcar o melhor estojo, as cores novas dos bibes bordados que em menos de nada ficam de cor nenhuma, os amigos de sempre, as voltas ao armários com medições palmilhadas e a decisão se o que falta é caso para galhofa generalizada ou se dá só até à mudança de estação. Por falar nisto: lembrei-me agora que no outro dia, depois dos banhos, fui deixar roupa no cesto e vi duas etiquetas das roupas que vestiram nesse dia: “6 meses”, “9 meses”. “O miúdo é curto, a miúda é larga”, pensei. Dois segundos depois: “A miúda é gigante, o miúdo é curto!” porque tenho uma “vaga” ideia de que o número maior fosse cor de rosa… 🙂 Enfiei tudo na máquina na vã esperança de que tudo se misturasse e que a minha fosse normal. Fico-me por aqui. Não tenho lata de falar do meu Setembro quando todo o meu ano é um gozo.:)
Set 03

De volta

Estou de volta! Não dou notícias há mais de um mês e pareceram-me umas duas horas. Fomos de férias, trouxemos areia, pendurámos conchas, apanhámos chuva e fintámos o sol que miúda grandona ainda só o pode ver a horas próprias. Gozei do gozo de passear com dois mini nós e já nem me lembro de como era a vida sem os dias esticados em mimos. Voltámos para ficar e se eu não der muitas notícias por aqui dou noutro lado, onde estamos sempre à mão 🙂 https://instagram.com/afterclick
Ago 17

Características

Agora, cada vez que se irrita ou que as frustrações tomam conta dos dias, diz: “Características!” Ponham na leitura do palavrão um cerrar de dentes, silabas vincadas e um punho fechado e fica exactamente como o ouviriam. “Características!” A palavra, só por si, já carrega tanta responsabilidade no que somos que também me parece aceitável o seu uso quando é preciso desanuviar a alma para afastar aquelas ditas que gostávamos que não viessem no pack da existência. E se isso lhe serve para fazer expurgo de vida é bom que continue. Prefiro que lhe saia um palavrão disfarçado que um “porra” bem dito. Ainda assim tenho a certeza que lhe dá o mesmo significado. Malditas características! 🙂

2D

Nos últimos dias cruzámo-nos com pessoas que só o conheciam a 2D e as reacções de todas, estranhamente, foram: “é igual às fotografias que publicas!”. Pois. Não gosto de usar photoshop no trabalho quanto mais na vida real 🙂 Todas as criações da natureza, mesmo que imperfeitas, são melhores sem ajustes de cores ou contraste. Não posso ter o (injusto) poder de editar aquilo que o criador fotografou. O meu filtro é só para ajustar a alma que essa pode ter sempre mais uns toques de luz. E Ele que faça as impressões que não tenho pantone suficiente para a exposição do meu modelo. 🙂

Livre

Há uns dias passei à frente do E.P.L. Eram 9 da manhã, eu já estava com uma pica do caraças para ir fotografar e vi um carro, mal parado, com 3 raparigas dentro, com música aos berros, que a cantavam igualmente alto e em grandes coreografias. Desvio o olhar para uns 5 metros ao lado e vejo um rapaz, com pouco mais de 20 anos a carregar dois sacos do lixo cheios. A não ligação de factos era tanta que me conseguiram prender a ponto de deixar passar dois sinais verdes 🙂 O que hoje me lembro melhor era daquele sorrisão de dentes muito brancos. Entrou no carro e mesmo com a música a ouvir-se no Porto o berreiro foi tal que me fez perder mais um sinal. Abraços, beijos, festas e perguntas infindáveis. Nunca tinha visto alguém ser libertado. Eu, de pelos em pé e olhos rasos só queria também abraça-lo e dizer-lhe que a maior Liberdade é aquela que nos prende a tudo quando não se é dono de coisa nenhuma. E se, a mesma Liberdade com que lutamos todos os dias por nós não fosse óbvia a quem a sempre sentiu sua, pensava-se mais na escolha dos passos, era-se […]

Anseio

Devo ter apanhado sol a mais na cabeça porque já só vejo azul, areia, biquinis e pele dourada no meu desktop. Anseio, anseio… 🙂 Shooting for A Pipoca Mais Doce for Futah.

Corpo às riscas

Tenho trabalhado tanto ao sol que dou por mim a tentar disfarçar as marcas da t-shirt e dos calções. Volta e meia ainda encontro um grão de areia alapado à minha pele a pedir cor e ando a desculpar-me, em cenários vários, quando me perguntam o porquê de andar tão corada quando os ombros continuam iguais aos Natal de 85. Não fosse o mood de quem me segue e a energia de quem corro atrás e ainda estaria na penumbra a pensar se a barriga que ainda me sobra da prole aumentada e o 34 à justa seriam desculpa suficiente para evitar uns clicks mais à fresca. Pensando pouco e rápido é melhor continuar a correr atrás de qualquer coisa que as desgraças não se vão embora sozinhas e a pele, mesmo às tiras, não muda de tom com a luz do computador. 🙂  

Só pode ser

Ainda não tem 4 meses. Pesa 8kg e está no percentil 97. É o destino a gozar comigo. Só pode. 🙂 smile e

Dos meus consolos

Têm-me perguntado como têm corrido as injecções da hormona do crescimento. Uma merda! Ah, não se podem dizer palavrões nas redes sociais. Paciência, agora já comecei, vou continuar. Nem sei se é pior ele levá-las se sermos nós a dar. De todas as áreas da saúde em que já temos um diploma aprovado falta-nos passar a uns exames de psicologia. Não posso gastar mais latim a explicar a um miúdo de 4 anos que é para o bem dele. Não posso nem quero porque não irá perceber porque tem que ter dor para ser do tamanho dos pais. Ou do Super Homem ou dos Príncipes da Disney. E não posso pedir que não se zangue connosco. Passámos anos a “autorizar” que lhe fizessem mal e agora, não contentes com isso, somos mesmo nós a fazer-lhe o bem com uma injecção por dia, durante 10 segundos. Adorava ter um capítulo na minha vida que se chamasse “o que não precisa de explicar aos seus filhos” e que nele viessem descritos todos os tópicos proibidos por que uma criança teria que passar. O que me consola é que daqui a 14 anos já só vou chegar-lhe ao peito e agora ainda o consigo […]
Jul 16

Afinal…

E de repente, o post anterior tem um episódio novo.Os miúdos, ao que consta, pareceram o Tom and Jerry numa versão personificada a 3D e a Cinderela apareceu mesmo! Graças a Deus não virou tudo abóbora à meia noite mas eu, para mal dos meus pecados, eu continuei a Gata Borralheira até ao fim:)  

Disney at home

Amanhã começa a minha época balnear de paixões. Os miúdos vão ficar com o meu Príncipe encantado que a Gata Borralheira tem que trabalhar. 🙂 Desde que não andem em cima dos tapetes como a Yasmin, que a minha Lurdes esteve cá hoje, que não vão a casa de desconhecidos como a Bela, que não convidem amigos para dormir em casa à laia da Branquela, que não mexam em agulhas como a Aurora, que não sejam alarves como o Pooh, que a Ariel não vos dê ideias na casa de banho, que não andem às cavalitas do Pai senão acaba-me em Notre Dame, e que não se pendurem nas cortinas que não são lianas, por mim podemos repetir a dose já para a semana. Vá lá, sejam bonzinhos que eu sei que o Pai não adora ser a Mary Poppins! E não sejam Moglis que de selvagem já temos a vida. Já sabem que se tentarem esconder-me alguma coisa não se esqueçam que o nariz cresce sempre e que posso sempre virar bruxa má. Depois não me façam olhos de Gato das Botas. 🙂

Da criação

Foi passar o fim de semana com os avós numa tentativa de descansarmos a alma, mimar a miúda e deixá-lo ser mimado. Para apaziguar os burburinhos constantes e enganar a saudade liguei para saber dele. – Olá mãe! – Olá querido! Então agora atende o telefone do avô? – Sim. – Humm. Onde é que está? – A tomar café. – Ah, está bem. E os avós? – Estão ali a falar com umas criaturas.Comecei o meu rosário de vergonhas a pedir ao Criador que as ditas criaturas não tivessem ouvido a criaturinha e, no caso de algum apuro de audição, não achassem que seria algum mal da criação. Ou quem estava em apuros era eu. tongue emoticon

Nasceu!

Da fragilidade com que nascemos há toda uma parafernália de adjectivos singulares e tão leves como o momento. Da fragilidade com que pegamos em alguém, tão nosso, pela primeira vez, há sempre a dúvida se é mais frágil o que nasce ou o que renasce. Foi mesmo mesmo colado às minhas férias mas não me consigo descolar destas imagens.

Férias

A semana tem passado ao ritmo dos dias. Fugazes enquanto a luz os aquece e demorados nos finais cor de rosa. Andamos a assobiar para o lado até chegar a noite, que de escuridão se fazem todas as dores e ansiamos por aprender a desenhar limites se limitadas temos as vontades. No barulho da existência ainda me vou cruzando com famílias e saindo de fininho deste cheiro a nenuco que se cola à pele, aos olhos e à boca. Por agora só queremos rumar a sul que o norte foi traçado há tempo. Emaranhar areia nos passos e não distinguir o infinito da espuma das ondas. Para a semana voltamos mais fortes, mais leves e mais salgados que o mar precisa do nosso mergulho e nós de sal numa Margarita 🙂 Melhores dias virão, melhores dias virão.
Jun 01

Durante anos irritava-me este dia. Não percebia porque é que depois de tanta tinta nas mãos, cortes nos dedos e cola nos cabelos para, orgulhosamente, dar presentes nos dias do Pai e da Mãe, os patrões não os mandavam fazer o mesmo, com o mesmo empenho e outra dedicação, no dia da Criança. Ficávamos, as três a ansiar, no mínimo, por um rabisco mal amanhado num embrulho não menos ranhoso mas os ditos patrões nunca os dispensaram para 15 minutos de artes plásticas:) Depois fui mãe e o dia passou a ter outra cor. E mais cola e tesouradas e tintas infernais. Não é que cumpra religiosamente as artes que não tenho tempo para esperar que sequem mas tento que haja qualquer coisa de diferente. Hoje não sou eu que lhe dou o presente. De tantos dias sem significado em todo o ano tinha que nos calhar este! Sei que já olho para as coincidências da vida com uma leveza às vezes irritante mas talvez me livre de pensamentos menos católicos, que só rezo para que chegue amanhã:) Hoje vamos passar o dia no hospital. Nada de mais. Melhor: até tem alguma importância o tamanho que qualquer um de nós […]

Tudo o que cai do céu

Acho que também vou juntar um punhado de miúdas curtidas e pedir-lhes que me atirem confetis. Quero continuar de braços abertos a receber tudo o que do céu me cai.

Parede de orgulhos

Tenho, aqui em casa, mesmo à minha frente, uma parede cheia de vocês. Famílias, noivos, crianças, amigas e bebés. Uma espécie de espelho daquilo que sou, que me deixam ser e que quero prolongar para o resto da minha vida. Está a abarrotar de medos, indecisões, inseguranças, defeitos e tudo o que me fez chegar aqui, 2 anos depois. Esta também vai para lá. Para nunca me esquecer que basta um segundo para guardar uma imagem, para sempre, e um prego para segurar tudo o que é bom na minha vida.
Mai 14

Educação apressada

Ando a ensiná-lo a não bater. A ele e a mim, que volta e meia saltam-me os dedos ao rabo numa tentativa de educação apressada em fuga a uma troca de verbos. A não bater, a pedir desculpa, a um obrigado agradecido, a rir de si próprio, a dar, a amar, a trabalhar e tudo o que os dias me vão pedindo em testemunho na certeza de que, também eu, os tive em sorte. E ando a pedir, muito, que nunca seja um daqueles pais. Mais do que a atitude condenável era a certeza de toda uma educação falhada, um prenúncio de resto de vida atribulado. Se algum dia tal acontecer, que não me falhe a memória dos princípios básicos de vida numa sociedade civilizada que a mão, essa extensão de mim que afaga mas também educa, essa tenho a certeza de que não falhará para voltar a educar. E se for essa a sina que lhe corre nas veias a ferver que me perdoe mas não estou a fazer mais que amá-lo.