Out 28

Homens…

Tem 3 anos. Não sei se é matéria da escola, se ouviu, absorveu e despejou mas anda obcecado com o género das palavras. Está pró em masculinos, femininos e géneros não identificáveis. 🙂 – O pai é menino, a mãe uma menina, o Babá um menino, o Sete é um cão. O Sete é um cão, o Babá uma pessoa. Pequenina. Dizia eu em repeat achando que não me estava a ouvir… – Uma pessoa? Um pessoo! Sou um pessoo pequenino! Um pe-sso-o! Não te vou contrariar, miúdo. Mas as pessoas não se fazem de género, fazem-se de corações. E, apesar de teres tido um que embirrou com o mundo mal viu a luz do dia, e que não deixa de ser enorme por isso, lamento, mas continuas a ser uma pessoa. Pequenina, é certo, mas uma pessoa! E mesmo que aches que te estão a pôr algum femininismo em cima, deixa lá, miúdo, nunca nenhum Homem se ofendeu por tal palavra. A Humanidade também é feminino e não lhe falta testosterona. 🙂 O género…
Out 27

Com licença.

Já não tenho mais imaginação de como educar esta criança! Há meses que tudo o que faz e em tudo o que mexe diz “com licença”. Vai à casa de banho, com licença, pega num copo, com licença, pede licença a um carro para passar por outro nas brincadeiras infindáveis, senta-se, com licença, levanta-se, com licença, passa por mim 400 mil vezes ao dia, com licença, cruza-se com pessoas na rua, com licença, dá um pum, com licença, põe perfume, com licença, abre uma gaveta, com licença, fecha uma porta, com licença. O exagero era tanto que tive que lhe dizer que não se diz com licença. Ponto. Em circunstância alguma! Não será porque não pede permissão para passar ou fechar uma porta que vão achar que é mal educado. Tantas vezes lhe repeti a frase, já em desespero, que o feitiço de virou contra mim, claro! Com esta criança devia prever todos os cenários mas não me lembrei que um dia pudéssemos ir ao oftalmogista e que a coisa pudesse correr mal. Muito mal.Entrámos na sala semi escura e a médica pede que me sente na cadeira com ele ao colo. Tagarelice pegada dos dois e no gesto mais […]

Mondays

É de gosto comum um especial ódio pelas segundas feiras. A ressaca do fim de semana e a preguiça do regresso às rotinas chatas arrastam-nos os pés, deixam-nos as pálpebras a meia haste e o mood em níveis históricos. Não tenho particular desapego por elas. Dão-nos a fácil esperança de recomeçar do zero a cada 7 dias. O cansaço de uma má semana, o falhanço de prazos, os berros do patrão, os almoços pendurados e os beijos perdidos. A cada segunda feira podemos olhar para a frente, respirar fundo e pensar “Esta vai ser do caraças!”. A minha vai! Bora lá malta!

Ui!

Sei que estou tramada quando alguma situação me ultrapassa e me deixa zonza. Odeio não ter reacção ao que me passa pelas mãos! Tem acontecido vezes de mais com esta criatura maléfica que me leva os verbos, os adjectivos e (até) os palavrões. Não tenho respostas à altura nem à velocidade do furacão que me despenteia e desarruma as ideias diariamente.  Sei que estou (muito) tramada quando me zango, lhe dou uma palmada no rabo gordo e ele, com ar ofendido, levanta o nariz, fecha os olhos, inspira todo o ar que consegue e explode um: – Esta vai doer-me para sempre! Estou tão bem tramada…!
Out 27

Photo of the day

(vivo para imagens como esta)
Out 08

Depressa demais

Por trás do ar de anjinho barroco, de cabelo loiro e bochechas rosadas está a criatura mais ligada à corrente no meu universo de gente pequena. Não veio com on/off visível, nem com volume de som ajustável. Apanhasse eu esta carripana em andamento e pedia-lhe boleia na certeza de que alguma coisa na minha vida andava até 40 km/h. Sou tantas vezes atropelada pela velocidade daquela cabeça, pelos esses em perdigotos e pelas palavras caras postas no sítio certo que se me sai outro assim mudo-me para o campo onde só oiço passarinhos e os dias são comandados pelo abanar das folhas. Ah silêncio bom! 🙂 (bora aproveitar que só dura até ás 17h)
Out 01

Até para o ano!

O que é que aconteceu ao pânico de ver a agenda sem fins de semana, ao frio na barriga de sair de casa para mais um, aos nervos de ver nervos, ao espanto de a ver entrar na igreja, ao pavor de não dar conta do recado, ao susto de não ter tempo de apanhar momentos, ao cansaço da volta, à dúvida de ser este o meu caminho? Estão prestes a acabar! Foram 16. Dezasseis casamentos mágicos que tive o sonho, um dia, de fazer parte. E realizou-se! Foi intenso, arrebatador, extasiante esta época balnear de felicidades várias! Fotografei milhares de pessoas, de momentos e lugares. Conheci pessoas incríveis, noivos apaixonados um pelo outro, famílias apaixonadas pelo amor deles e amigos com a certeza que esse amor vai trazer ainda mais. Incomparávelmente mais. Em género e quantidade  Só falta um. Um para deixar de acumular milhares de fotografias e revê-las, com calma, como tanto gosto. Até lá estou às escuras a pôr tudo o que tenho em mãos, em dia, e a rezar para que os noivos mais queridos que me caíram em graça não me desgracem os timmings.  Obrigada, obrigada, obrigada a todos os que se cruzaram comigo nesta odisseia […]

Meia-idade

S. Pedro, p’loamordeDeus, queres ser meu secretário e fazer a gestão de famílias que se reúnem, inteiras, para fazer uma sessão, de mães à beira de um ataque de nervos porque o bronze do verão não vai parar a molduras, de marcas com colecções de outono/inverno que vão ter que incluir guarda-chuvas aos outfits e de bebés que não vão poder registar o primeiro passeio à rua? Queres? Estão está lá sossegadinho que já não posso aturar a tua crise de meia idade!
Out 01

Pequenez

Odeio esta coisa de um dia ter areia nos pés e sal na boca e no outro andar a empurrar carrinhos aos encontrões à procura de lápis xpto, cartolinas com cores que nunca ouvi, materiais que nunca usei em 15 anos de artes e tesouras de bicos redondos, pegas ergonómicas e cores que compensem o trabalho que vão dar. Como se não chegasse ando hà noites à volta de etiquetas e etiquetinhas, canetas de acetato e bordados para não trocarem, na escola, o que tanto trabalho me deu a regatear vários últimos artigos com tantos outros pais que preferiam estar no corredor das bebidas a escolher a cachaça para gozar os últimos dias do mês e a neura de voltar às rotinas. Tudo para não ter uma criança chorosa porque o outro Bartolomeu, da sala do lado e com a mesma cor de bibe, lhe levou as calças ou pior, as canetas xpto que tanto me custaram a encontrar. Em vez do nome próprio que mandei bordar em todo o lado, achando que bastaria, passei uma noite a escrever apelidos porque todos os Bartolomeus com 3 anos têm pais que escolheram a mesma escola, na mesma zona, e vá-se lá […]
Out 01

News

Era dia 2 de Janeiro. Chovia a potes e estávamos exaustos da correria da última semana. Acho sempre que o início do ano é bom para listas de coisas a resolver e sonhos a pôr em prática. Resolvi mandar para o ar um: “e se tivéssemos mais um bebé?”. Não sei se a cara que vi era do cansaço ou do susto.  Sussurra: “Porquê?”. Também me tinha feito a mesma pergunta infinitas vezes antes de a fazer. Porquê? Porquê passar pelo risco de nos acontecer tudo outra vez? Saiu-me um: “Porque merecemos passar por um processo normal, porque deve ser bom ter um bebé sem complicações e porque, acima de tudo, o B merece um irmão. Quando não sobrar mais nada têm-se um ao outro.” Não sabemos o que aí vem, nem como vem. Não queremos saber! O que vier é nosso e assim será, para sempre. Não há coragem sem medo e que nunca nos falte nenhum dos dois. Estamos vivos! Os 4! E felizes, tão felizes  | 14 semanas |
Out 01

Ericeira

Este é o Senhor Carlos. O do boné  É banheiro no Sul há 3 anos. Conhecem-se de toda a, curta, vida do B. Passeiam de mão dada, abraçam-se, na sesta tapa-o e passa-lhe a mão no cabelo, apanham pedrinhas e procuram as mais estranhas conchas, trata-o por “meu menino” e o outro apresenta-o a toda a gente como “Sinhô Cámos”. Vai apanhar caranguejos e “caramões” porque o mariquinhas não adora aquelas águas geladas e barulhentas. Sempre que o vento dá um ar de sua graça aparece com um pára vento para o seu menino não despentear os cabelos loiros e os cabelos loiros parecem um catavento à procura do seu amigo de toldo  Não sonho que o meu menino seja banheiro. Mas também não sonho que seja outra coisa arquitectada por mim. Sonho mesmo é que continue a assim, a fazer amigos como o “Sinhô Cámos”, para a vida, sem complexos, sem superioridades, só com a certeza que a mais pura das amizades é aquela que começa com um sorriso e um “Olá”. 
Out 01

Véu

Já me aconteceu de tudo nos casamentos. Mesmo! Mas a sorte de apanhar esses momentos é inédita.  Além dos kg de material que me perseguem vou passar a andar com ganchos, laca e elásticos  e uma assistente para a maquilhagem que ainda não apanhei uma noiva de baton borrado por isso estou pouco experiente.