Jun 18

Acessórios de vida

Tenho andado meia out. Esta vida louca é tramada mas tão boa!
Ando dividida entre as surpresas alucinadas que me deixam fora de mim, zangada e a transbordar de dúvidas e as certezas de que o amanhã será para lá de espectacular para cada um de nós três.

Já falei tantas vezes dos meus últimos três anos. Dois de angústias, preocupações e medos. Tantos! E um de alívio. Já escrevi aqui o que senti e o que é ver um filho desaparecer do nosso campo de visão, sem controlo, sem decisão e sem querermos. Ver a nossa extensão, o seguimento dos nossos pés, mãos e coração a sofrer. Foram os dois anos mais difíceis da minha existência. Talvez ainda passe por muita coisa mas tenho a certeza que nada vai chegar aquele extremo.

Inevitavelmente qualquer coisa nova que se atravesse no meu caminho é razão para começar aos palavrões do mais baixo que se lembrem. Não quero mais médicos, mas exames, mais hospitais. Mas temos as linhas das mãos bem vincadas na pele.

Quando me disseram que tinha que usar óculos. Tremi. Acho (…) que chorei. Dei como desculpa ter uma inflamação nos olhos e também eu precisar de ser vista. 🙂 Agora, à distância, penso e sei que não tem mal, que até fica engraçado, com ar de miniminimini cientista maluco mas tive 15 dias a achar que o iam catalogar como o tonto, o pequenino tonto que usa óculos e não cresce. E não cresce porque aquelas coisas alucinadas, a que chamam hormonas, que a mim me fazem chorar, a ele não o fazem crescer. Precisamos de mais médicos, mais exames, mais hospitais e mais remédios.

Para qualquer família seria, uma g’anda seca. Para nós são mais duas a juntar ao bolo. Estavamos a sair do susto a começar a respirar e voltaram a tirar-nos o folgo. Só um bocadinho, que aqui a malta gosta de viver com garrafas de oxigénio por perto. 🙂 Achei injusto, tão injusto! Sobretudo, para ele que não merece. Depois parei e pensei que nada é mais justo que lhe calhar a ele tudo isto. Pela leveza de vida, pela alegria, pelo bom humor e por ser tão adaptado a tudo o que lhe dão.

Então, se é assim bora lá levar a vida como se fosse um photobooth, cheia de acessórios e ter a ilusão de que o tempo passa mais devagar. E se algum dia for preciso pôr um aparelho nos dentes é da maneira que a vou ver mais brilhante que nunca! 🙂

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