Dez 23

Felizmente é Natal!

No sábado tive que o acordar à hora da rotina semanal. Ainda meio atordoado pergunta-me se é dia de escola. Relatei-lhe a nossa manhã complicada e disse-lhe que ia ficar umas horas nos avós. Entre o sorriso ensonado, o cheiro a quentinho e os cabelos muitos loiros despenteados fecha os olhos, respira fundo e diz: “Felizmente eu posso!”. Dei uma gargalhada tal que o miúdo se ofendeu. 🙂 Revi todas as frases mais marcantes que me disse só para confirmar que era a mais pirosa 🙂 Era. 🙂 Continuava a ouvi-lo respirar fundo quando, também eu, parei e fixei-o. De repente foi Natal naquele quarto. Eu, alheada da época, percebi que era Natal e quem mo tinha mostrado era ele. “Felizmente eu posso!” É tão isto, o Natal! 🙂 Felizmente eu posso ter um Natal; Felizmente eu posso passá-lo com a minha família; Felizmente eu posso comprar presentes a quem mais gosto; Felizmente eu posso chegar a casa e abraçá-los; Felizmente eu posso ter uma casa; Felizmente vou vesti-lo de xadrez; Felizmente vai ser uma correria; Felizmente posso estar sentada num sofá a escrever ao computador, quentinha. Tantos “felizmentes” que tenho na minha vida! E tantos que não os têm. E saber que o meu […]
Dez 23

X-MAS

Já não aguentava a menina do Disney Júnior a fazer contagem decrescente dos dias que faltam para o Natal. Que nervos! A cada intervalo do Mickey ou do Jake lá estava ela “faltam 8 dias para o Natal!” Ai! Sem a árvore feita e sem presentes comprados estive prestes a mudar para a concorrência porque o canal não consta na lista standard. As ideias já tinha. As bolas e as luzes também. Só precisava de 2 horas para escrever, imprimir, cortar e pendurar. No ano passado imprimi o nosso ano. Dezenas de fotografias nossas para que não nos esquecêssemos que tudo o que nos passa pelas mãos fica tatuado, para sempre. Este ano carreguei-a de propósitos e coisas boas da vida. As frases eram infinitas, o meu tempo é que não! 
Dez 11

Jingle bells

O Natal mata-me. Sem compaixão nenhuma leva-me tudo. O dinheiro, o tempo e a energia. Depois dá-me trabalho em barda. Não é mau mas a juntar a tudo o resto é simplesmente caótico. Cartas já só escrevo as electrónicas. Ou a responder a clientes ou a refilar com a Cuf. O Pai Natal que se ponha a pau que tem concorrência à altura. Não me lembro de escrever tantas ao dito. Luzes só vejo a do sol, pela janela e a do ecrã do computador que me encandeia os dias. Presentes, só o que respondo nas consultas a que vamos ou se chamam o 43 na fila do talho do supermercado. Como sou duas nem acham estranho 🙂 A árvore, coitada, essa ainda está a meio e bolas é o que digo todos os dias quando vejo o dia escurecer. Depois, a juntar à festa, ainda há a propriamente dita, do miúdo. Como se não bastasse ainda me puseram a cozer um fato, caraças. Foi dos diabos encontrar a t-shirt verde. E foi dos diabos mentalizar-me que tinha mesmo que ser virada do avesso ou o miúdo nunca me perdoaria ir com o Minion estampado. Cortei-a simetricamente, cozi golas, cintos e fiz um […]
Nov 25

30

Estou na recta final, mesmo, mesmo a entrar nos 30 (glup!). Nos últimos anos a frase que mais oiço é “mas… ainda não tens 30?” Apressam-se sempre a justificar o abuso de números pela maneira como falo e pelo que digo. É certo que já me passaram pelas mãos o que não desejo a ninguém e (talvez) mais vida que me fez crescer na medida proporcional à minha pequenez. Aprendi a pôr felicidade onde poucos a vêem e a rir sempre que caio, que não há melhor que um batecú, mesmo que na alma. Felizmente o Facebook é só virtual! O que seria ter centenas de outros virtuais a comentarem a minha voz, o meu paleio e a quantidade de caracteres que ponho no discurso dos meus dias! Ao menos, pelo que escrevo e pelo que mostro nunca ninguém me pôs rugas:)
Nov 20

Se…

Se todos os segredos fossem promessas de amor deixava de ser falta de educação fazê-lo em público. 🙂

Apetecia-me…

Tudo o que me apetecia hoje era ficar na cama, com uma chávena de chá quente entre as mãos, alternar entre o folhear vago de uma revista e o passar p’las brasas e a ouvir a chuva bater no metal do algeroz ao ritmo do novo CD da Carminho. Não vai dar. Dá-me uma pica do caraças ver estas famílias sem o mínimo pudor com a minha lente. Fico sem lata para amolecer quando me lembro destas gargalhadas.

É miúda!

É miúda! Quando engravidei, da primeira vez, tinha a certeza que era um rapaz. Desta estava a zeros. Há 4 anos não sabia o que era ser mãe, cuidar e proteger alguma coisa tão profundamente nossa. Não li manuais, folhas de instruções nem frequentei workshops. Ser mãe é tão nosso que não tinha tempo para tirar notas. Agora vou repetir a dose. Depois de um curso intensivo e exaustivo  estou preparada para o que aí vem. Continuo sem tirar notas que a vida sabe escrever bem melhor que eu mas por sermos do mesmo género talvez lhe consiga explicar que ter um irmão é a melhor coisa do mundo, quando tudo lhe faltar terá alguém, tão igual a ela, que a compreenderá. Talvez lhe explique que há toda uma gama de cor de rosa e que o cabelo encaracolado se penteia melhor molhado. Talvez não lhe consiga fazer ver que folhos com renda é demais. Talvez lhe empreste sapatos, se tiver os pés magrinhos. Talvez lhe diga que crescer é difícil mas talvez lhe esconda que a meta é o melhor dos troféus, quando lá chegar saberá gozá-la como todas as surpresas boas. Talvez lhe diga que não viverá sem amor, que […]

Vida

Dei por mim a pensar que esta poderia ser a fotografia da minha vida. Não vou ganhar prémios com ela ou aspirar ser aquilo que um dia gostava mas pode definir perfeitamente toda a minha vida. À minha frente degraus que me levarão mais além, tantos que tenho que subir para queimar os devaneios da minha vida :), degraus que me farão descer quando assim tiver que ser num sobe e desce tão indefinido como tudo o que me rodeia. Pelo caminho posso ir recolhendo frutos daquilo que dou. Suor, cansaço, flores e alegria. Ao meio alguém que me conduz maior, tão maior. E eu, sempre inclinada para o caminho mais curto, agarrada a um grande amor que subirá comigo, de mãos dadas. Não me falta a esperança de calor num dia de dilúvio nem o cor de rosa num dia de escuridão 🙂 Quando lá a cima chegar olharei o mar e de certeza pensarei: Valeu tanto a pena. Mas bom, bom é saber que percorri nem um terço do que ainda me falta!
Nov 06

Botas

Não há desculpas para não sair de casa! Bora lá abrir o que nos protege, calçar o que não nos molha e vestir o que nos aquece. Que quente, quente já só tenho o coração. 🙂 Shooting for A Pipoca Mais Doce
Out 28

Homens…

Tem 3 anos. Não sei se é matéria da escola, se ouviu, absorveu e despejou mas anda obcecado com o género das palavras. Está pró em masculinos, femininos e géneros não identificáveis. 🙂 – O pai é menino, a mãe uma menina, o Babá um menino, o Sete é um cão. O Sete é um cão, o Babá uma pessoa. Pequenina. Dizia eu em repeat achando que não me estava a ouvir… – Uma pessoa? Um pessoo! Sou um pessoo pequenino! Um pe-sso-o! Não te vou contrariar, miúdo. Mas as pessoas não se fazem de género, fazem-se de corações. E, apesar de teres tido um que embirrou com o mundo mal viu a luz do dia, e que não deixa de ser enorme por isso, lamento, mas continuas a ser uma pessoa. Pequenina, é certo, mas uma pessoa! E mesmo que aches que te estão a pôr algum femininismo em cima, deixa lá, miúdo, nunca nenhum Homem se ofendeu por tal palavra. A Humanidade também é feminino e não lhe falta testosterona. 🙂 O género…
Out 27

Com licença.

Já não tenho mais imaginação de como educar esta criança! Há meses que tudo o que faz e em tudo o que mexe diz “com licença”. Vai à casa de banho, com licença, pega num copo, com licença, pede licença a um carro para passar por outro nas brincadeiras infindáveis, senta-se, com licença, levanta-se, com licença, passa por mim 400 mil vezes ao dia, com licença, cruza-se com pessoas na rua, com licença, dá um pum, com licença, põe perfume, com licença, abre uma gaveta, com licença, fecha uma porta, com licença. O exagero era tanto que tive que lhe dizer que não se diz com licença. Ponto. Em circunstância alguma! Não será porque não pede permissão para passar ou fechar uma porta que vão achar que é mal educado. Tantas vezes lhe repeti a frase, já em desespero, que o feitiço de virou contra mim, claro! Com esta criança devia prever todos os cenários mas não me lembrei que um dia pudéssemos ir ao oftalmogista e que a coisa pudesse correr mal. Muito mal.Entrámos na sala semi escura e a médica pede que me sente na cadeira com ele ao colo. Tagarelice pegada dos dois e no gesto mais […]

Mondays

É de gosto comum um especial ódio pelas segundas feiras. A ressaca do fim de semana e a preguiça do regresso às rotinas chatas arrastam-nos os pés, deixam-nos as pálpebras a meia haste e o mood em níveis históricos. Não tenho particular desapego por elas. Dão-nos a fácil esperança de recomeçar do zero a cada 7 dias. O cansaço de uma má semana, o falhanço de prazos, os berros do patrão, os almoços pendurados e os beijos perdidos. A cada segunda feira podemos olhar para a frente, respirar fundo e pensar “Esta vai ser do caraças!”. A minha vai! Bora lá malta!

Ui!

Sei que estou tramada quando alguma situação me ultrapassa e me deixa zonza. Odeio não ter reacção ao que me passa pelas mãos! Tem acontecido vezes de mais com esta criatura maléfica que me leva os verbos, os adjectivos e (até) os palavrões. Não tenho respostas à altura nem à velocidade do furacão que me despenteia e desarruma as ideias diariamente.  Sei que estou (muito) tramada quando me zango, lhe dou uma palmada no rabo gordo e ele, com ar ofendido, levanta o nariz, fecha os olhos, inspira todo o ar que consegue e explode um: – Esta vai doer-me para sempre! Estou tão bem tramada…!
Out 27

Photo of the day

(vivo para imagens como esta)
Out 08

Depressa demais

Por trás do ar de anjinho barroco, de cabelo loiro e bochechas rosadas está a criatura mais ligada à corrente no meu universo de gente pequena. Não veio com on/off visível, nem com volume de som ajustável. Apanhasse eu esta carripana em andamento e pedia-lhe boleia na certeza de que alguma coisa na minha vida andava até 40 km/h. Sou tantas vezes atropelada pela velocidade daquela cabeça, pelos esses em perdigotos e pelas palavras caras postas no sítio certo que se me sai outro assim mudo-me para o campo onde só oiço passarinhos e os dias são comandados pelo abanar das folhas. Ah silêncio bom! 🙂 (bora aproveitar que só dura até ás 17h)
Out 01

Até para o ano!

O que é que aconteceu ao pânico de ver a agenda sem fins de semana, ao frio na barriga de sair de casa para mais um, aos nervos de ver nervos, ao espanto de a ver entrar na igreja, ao pavor de não dar conta do recado, ao susto de não ter tempo de apanhar momentos, ao cansaço da volta, à dúvida de ser este o meu caminho? Estão prestes a acabar! Foram 16. Dezasseis casamentos mágicos que tive o sonho, um dia, de fazer parte. E realizou-se! Foi intenso, arrebatador, extasiante esta época balnear de felicidades várias! Fotografei milhares de pessoas, de momentos e lugares. Conheci pessoas incríveis, noivos apaixonados um pelo outro, famílias apaixonadas pelo amor deles e amigos com a certeza que esse amor vai trazer ainda mais. Incomparávelmente mais. Em género e quantidade  Só falta um. Um para deixar de acumular milhares de fotografias e revê-las, com calma, como tanto gosto. Até lá estou às escuras a pôr tudo o que tenho em mãos, em dia, e a rezar para que os noivos mais queridos que me caíram em graça não me desgracem os timmings.  Obrigada, obrigada, obrigada a todos os que se cruzaram comigo nesta odisseia […]

Meia-idade

S. Pedro, p’loamordeDeus, queres ser meu secretário e fazer a gestão de famílias que se reúnem, inteiras, para fazer uma sessão, de mães à beira de um ataque de nervos porque o bronze do verão não vai parar a molduras, de marcas com colecções de outono/inverno que vão ter que incluir guarda-chuvas aos outfits e de bebés que não vão poder registar o primeiro passeio à rua? Queres? Estão está lá sossegadinho que já não posso aturar a tua crise de meia idade!
Out 01

Pequenez

Odeio esta coisa de um dia ter areia nos pés e sal na boca e no outro andar a empurrar carrinhos aos encontrões à procura de lápis xpto, cartolinas com cores que nunca ouvi, materiais que nunca usei em 15 anos de artes e tesouras de bicos redondos, pegas ergonómicas e cores que compensem o trabalho que vão dar. Como se não chegasse ando hà noites à volta de etiquetas e etiquetinhas, canetas de acetato e bordados para não trocarem, na escola, o que tanto trabalho me deu a regatear vários últimos artigos com tantos outros pais que preferiam estar no corredor das bebidas a escolher a cachaça para gozar os últimos dias do mês e a neura de voltar às rotinas. Tudo para não ter uma criança chorosa porque o outro Bartolomeu, da sala do lado e com a mesma cor de bibe, lhe levou as calças ou pior, as canetas xpto que tanto me custaram a encontrar. Em vez do nome próprio que mandei bordar em todo o lado, achando que bastaria, passei uma noite a escrever apelidos porque todos os Bartolomeus com 3 anos têm pais que escolheram a mesma escola, na mesma zona, e vá-se lá […]
Out 01

News

Era dia 2 de Janeiro. Chovia a potes e estávamos exaustos da correria da última semana. Acho sempre que o início do ano é bom para listas de coisas a resolver e sonhos a pôr em prática. Resolvi mandar para o ar um: “e se tivéssemos mais um bebé?”. Não sei se a cara que vi era do cansaço ou do susto.  Sussurra: “Porquê?”. Também me tinha feito a mesma pergunta infinitas vezes antes de a fazer. Porquê? Porquê passar pelo risco de nos acontecer tudo outra vez? Saiu-me um: “Porque merecemos passar por um processo normal, porque deve ser bom ter um bebé sem complicações e porque, acima de tudo, o B merece um irmão. Quando não sobrar mais nada têm-se um ao outro.” Não sabemos o que aí vem, nem como vem. Não queremos saber! O que vier é nosso e assim será, para sempre. Não há coragem sem medo e que nunca nos falte nenhum dos dois. Estamos vivos! Os 4! E felizes, tão felizes  | 14 semanas |